Alexander Zverev encerrou uma longa espera nesta quarta-feira ao vencer Taylor Fritz por 6-4, 6-4 e 6-2 em apenas uma hora e 59 minutos, garantindo seu lugar na semifinal de Wimbledon pela primeira vez na carreira. O alemão, cabeça de chave número dois do torneio, havia passado nove edições consecutivas no All England Club sem jamais superar a segunda semana - jejum que acabou com uma atuação segura, dominante e sem margem para contestação.
A vitória tem peso histórico além do resultado em si: Zverev se torna o primeiro alemão a disputar uma semifinal masculina em Wimbledon desde Tommy Haas, em 2009, e apenas o terceiro tenista da Alemanha na Era Aberta a chegar à última quatro em todos os Grand Slams, companhia exclusiva de Boris Becker e Michael Stich. Para veja a matéria completa sobre esse feito e os detalhes do torneio, o contexto é ainda mais relevante: Zverev chegou a Roland Garros no início da temporada sem um título de Slam, e hoje acumula a conquista parisiense e uma semifinal na grama londrina - superfície que historicamente lhe trouxe menos conforto do que saibro ou piso duro.
Sequência negativa contra Fritz finalmente quebrada
O confronto carregava um peso adicional para o alemão. Fritz havia vencido os últimos sete duelos entre os dois, com a última derrota do americano acontecendo no Aberto da Itália de 2024. Na edição de 2024 de Wimbledon, o próprio Fritz havia eliminado Zverev nas oitavas de final após virar um placar de dois sets a zero para baixo - detalhe que tornava a revanche ainda mais significativa nesta quarta-feira. "Estou extremamente feliz por estar nas semifinais, especialmente contra Taylor, a quem eu não vencia há dois anos", disse Zverev após a partida.
O próprio tenista reconheceu o quanto Wimbledon lhe custou ao longo dos anos. "Estou feliz só de ainda estar no torneio. No ano passado, eu já estava treinando em quadra dura nessa fase", admitiu, recordando a eliminação na primeira rodada em 2025. "É um sonho realizado finalmente jogar bem em Wimbledon. Esperei muito tempo por isso." A conquista do Roland Garros, seu primeiro Grand Slam, claramente liberou um peso psicológico - e essa leveza se traduziu em quadra.
Fritz sentiu o joelho no calor londrino
Fritz, que disputava seu quarto quarto de final em Wimbledon nos últimos cinco anos, não esteve em seu melhor nível físico. Com temperaturas chegando a 32°C, o americano demonstrou dificuldades de movimentação desde cedo, e no início do segundo set precisou solicitar atendimento médico para o joelho direito. Ainda assim, tentou continuar. Zverev havia perdido o saque no terceiro game do primeiro set, mas se impôs a seguir, salvando todos os quatro break points que enfrentou, incluindo dois no momento de fechar o set.
O jogo começou a se definir de vez no nono game do segundo set, quando Fritz cedeu o break decisivo - Zverev celebrou o ponto com intensidade, ciente do que aquela quebra representava. No terceiro set, o alemão abriu brecha logo no terceiro game e administrou com tranquilidade até fechar a partida. Fritz agora terá de aguardar o US Open - torneio em que foi finalista há dois anos - para uma nova oportunidade de conquistar seu primeiro Grand Slam.
Próximo passo: o wildcard britânico Arthur Fery
Na semifinal de sexta-feira, Zverev enfrentará Arthur Fery, wildcard britânico ranqueado no 114º lugar do mundo e que se tornou o novo ídolo da torcida local ao avançar de forma surpreendente pelo chaveamento. A assimetria de expectativas é evidente - Zverev entra como enorme favorito -, mas o alemão demonstrou bom humor ao lidar com o ambiente da quadra. "Tudo bem, vocês podem torcer pelo Fery, eu entendo", disse ao público. "Acho que vai ser um dia emocionante para os dois, a primeira vez nas semifinais para nós dois. É claramente uma história de 'Fery-tale'", brincou com o trocadilho em inglês entre o sobrenome do adversário e a palavra fairytale - conto de fadas.
Quem vier da outra semifinal, entre o número um do mundo Jannik Sinner e o ex-campeão Novak Djokovic, encontrará um Zverev diferente dos anos anteriores: mais maduro, com um Grand Slam no currículo e, aparentemente, com uma relação mais tranquila com a pressão dos maiores palcos do tênis mundial.