O Masters 1000 do Canadá (3 a 13 de agosto) caminha para mais uma edição sem os grandes nomes do tênis mundial. Enquanto Carlos Alcaraz desfalca o torneio por conta de recuperação de lesão, Jannik Sinner e Novak Djokovic anunciaram, simultaneamente, que vão priorizar descanso após Wimbledon. A repetição do cenário already visto em 2025 acendeu o alerta entre os organizadores do evento em Montréal.
A diretora do torneio, Valérie Tétreault, e Gavin Ziv, CEO da Tennis Canada, levaram o assunto formalmente à ATP, cobrando uma solução urgente para o problema recorrente de desfalques de peso. A preocupação não é só esportiva, mas também comercial: um evento Masters 1000 depende da presença de suas maiores estrelas para justificar investimento, cobertura midiática e engajamento do público, algo que vale tanto para o tênis quanto para qualquer outro entretenimento competitivo, dos esportes de alto rendimento até plataformas de jogos como o fruit cocktail, que também disputam a atenção do consumidor moderno.
A proximidade do calendário com Wimbledon é o principal fator apontado. Jogadores que avançam bastante no Grand Slam britânico frequentemente adiam o início da temporada norte-americana em quadra dura, e o Canadá acaba pagando o preço por estar logo na sequência. No ano passado, o torneio chegou a ser antecipado em uma semana, deixando os atletas com pouco mais de quinze dias para se adaptar à mudança de piso.
Um padrão que se repete
Sinner, campeão em Toronto em 2023 - seu primeiro título de Masters 1000 na carreira -, já havia pulado a edição de 2025 logo após conquistar seu primeiro título em Wimbledon. Alcaraz, vice-campeão em SW19 naquele ano, e Djokovic, semifinalista, seguiram o mesmo caminho. Mesmo com uma semana extra de intervalo entre os dois torneios no calendário deste ano, nem Sinner nem Djokovic mudaram de ideia, repetindo em Londres, na edição de 2026, resultados muito parecidos com os do ano anterior.
Tétreault não escondeu a frustração em comunicado oficial. Segundo ela, a organização respeita as decisões dos atletas e entende que a saúde deve vir em primeiro lugar diante de um calendário tão exigente, mas a frequência dos desfalques de última hora nos últimos anos expõe uma questão mais ampla para o esporte. A expansão do quadro principal de Canadá e Cincinnati, que passou de 56 para 96 jogadores em 2025, só tornou o problema mais evidente, segundo os organizadores.
Diálogo aberto com a ATP
Tétreault afirmou que já existem conversas em andamento com a ATP para que o tema receba a devida atenção, com a expectativa de ajustes que protejam a integridade dos torneios Masters 1000 sem ignorar a realidade enfrentada pelos jogadores. Ziv reforçou o discurso, destacando a responsabilidade da federação nacional e da organização do torneio em defender os interesses do tênis e do público que acompanha o evento ano após ano. Segundo ele, o diálogo com a entidade já mostrou sinais de abertura, o que gera otimismo quanto a mudanças concretas no formato dos eventos obrigatórios.
Histórico de ausências e desafios futuros
- Djokovic, tetracampeão do torneio, não compete em Montréal ou Toronto desde 2018.
- Alcaraz, apesar de nunca ter vencido o título, soma apenas duas participações na carreira, a última em 2023.
- Sinner chegava embalado por uma sequência de seis Masters 1000 consecutivos vencidos, mas optou por não buscar o recorde diante da reta final exigente da temporada.
O torneio pode enfrentar um novo obstáculo em 2028, quando os Jogos Olímpicos de Los Angeles ocorrerão em julho, dias após Wimbledon. Resta saber se a ATP vai promover ajustes no calendário para dar aos fãs canadenses uma chance real de ver as maiores estrelas do circuito em quadra.